As Unhas Podem Indicar Problemas de Saúde

Por Denise Steiner – Médica Dermatologista

 

As unhas são anexos cutâneos e são formadas por diferenciação de alguns segmentos da pele. Possuem muita queratina e estão envolvidas no processo de proteção do organismo em relação ao meio externo.

As unhas, mais até do que a própria cútis, são termômetros do que está ocorrendo no organismo humano. Um exame atento a estas estruturas pode auxiliar em diagnósticos difíceis, bem como permitir um tratamento  precoce de doenças internas, dizem os especialistas em dermatologia. Isto ocorre porque estas estruturas crescem continuamente e recebem estímulos hormonais diversos ou até mesmo alterações nutricionais – a unha pode interromper seu crescimento ou apresentar alterações de estrutura.

Portanto, podem mostrar, em primeira mão, as alterações invisíveis por outros sintomas. É interessante encarar as informações descritas nos blocos no final deste texto como marcadores internos que sinalizam, de forma precoce, problemas que podem ser melhor diagnosticados e tratados.

A unha normal é transparente, lisa, suave, permanecendo colada ao seu leito e apresentando crescimento contínuo adulto.

A unha das mãos demora, em médias, de 5 a 6 meses para crescer da base até a ponta, e as dos pés, de 8 a 12 meses. É bom lembrar que existem variações individuais, relacionadas à raça, idade, ambiente, ocupação, etc. Diversas alterações na cor, aparência, superfície e crescimento podem significar problemas internos.

 

Doenças

  • Anemia: Unhas quebradiças, secas, opacas, sulcos transversais (vários), coiloniguia (formato côncavo da unha), onicólise (descolamento distal)
  • Doenças cardíacas: Unhas curvadas para baixo, alargadas, coloração arroxeada  e pontos arroxeados.
  • Doenças renais: Engrossamento das unhas, coloração amarelada ou cinzenta, linhas transversais esbranquiçadas, unha metade marrom, metade clara
  • Doenças no fígado: Unhas de Terry – ocorre na cirrose – cor esbranquiçada na parte proximal e coloração normal na parte distal, unha pálida amarelada, arredondamento e aumento da unha.
  • Doneças gastrointestinais: Pontos hemorrágicos, unhas doloridas, frágeis e que se deslocam da parte distal ou descamam.
  • Diabete: Unhas avermelhadas e com vasos na pele, engrossamento das unhas, micose mais freqüente e engrossamento e endurecimento das pontas dos dedos.
  • Hipertireoidismo: Afinamento e enfraquecimento das unhas, descolamento da parte distal das unhas, abaulamento.
  • Hipotireoidismo: Unhas opacas, engr ossamento.
  • Lúpus eritematoso: Hemorragia da cutícula, machas brascas na unha, depressão puntiformes e descolamento da parte distal da unha.
  • Reumatismo: Unhas amareladas, sulcos transversais, lúnula avermelhada e engrossamento sob a unha.
  • Leucemia: Unha quebradiça, hiperqueratose (engrossamento) ou perda total da unha.
  • Aids: Infecção das unhas por fungos e cândida, vírus e herpes e sarcoma de Kaposi (tumor vascular).

 

 

Deficiências Nutricionais

Vitamina A: Unha com aspecto de casca de ovo, esbranquiçada e quebradiça.

Vitamina B12: Linhas longitudinais escurecidas, cor azul enegrecida.

Vitamina C: Hemorragia subunguenal, pontos avermelhados no leito unguenal.

Zinco: Coloração acinzentada, cutícula seca e engrossada, descamação intensa ao redor das unhas, linhas transversais bem acentuadas.

Nicotinamida B3 (pelagra – doença de alcoólatra): Linhas transversais esbranquiçadas, ausência de brilho e descolamento da parte distal da unha.

 

Drogas:

Minociclina: Cor azulada nas unhas.

Tetraciclina: Cor marrom e descolamento distal.

Anticonvulsivantes: Diminuição do tamanho das unhas.

Antidepressivo: Unhas com manchas brancas.

Retinóides: Afinamento das unhas, leuconiguia (pontos brancos).

 

 

Fonte: Cosmetics & Toiletries, vol. 19, jul-ago 2007.

 

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