Os distúrbios de pigmentação da pele

Matéria de Maria Vianna publicada na Revista Les Nouvelles Esthétiques, Edição nº 104, pág. 60).

 

Tanto as manchas de pele, como o melasma, que surge na gravidez, como a falta de pigmentação, caso do vitiligo, causam muito desconforto. Substâncias clareadoras e outras terapias permitem atenuar bastante o aspecto das lesões e até eliminá-las. Em todos os casos, proteger-se do sol é muito importante.

 

A cor da nossa pele, cabelo, pêlos e olhos é geneticamente programada. Os principais responsáveis pela pigmentação são os melanócitos, células localizadas na epiderme, no bulbo folicular e na parede folicular do cabelo, que sintetizam um pigmento chamado melanina, produzida dentro de organelas especializadas denominadas melanossomas. Em alguns casos, podem ocorrer alterações da coloração e da pigmentação da pele, que se traduzem por um aumento ou uma diminuição de sua cor natural.

 

Tipos de pigmentos

Os malanossomas sintetizam dois tipos de pigmento:

  1. Eumelanina (melanina de cor marrom ou negra), que absorve totalmente a luz, deixando a pele naturalmente mais protegida dos raios solares.
  2. Faeomelanina (melanina de cor vermelha ou alaranjada, presente em maior quantidade nas mulheres). Quanto mais clara for a pele, maior a quantidade de faeomelanina e a sensibilidade ao sol, e vice-versa.

 

O papel da melanina

A pigmentação melânica é geneticamente programada. Nas peles negras, os melanossomas são maiores e se repartem entre todas as camadas da epiderme; nas brancas, eles diminuem gradativamente, até a camada córnea. A exposição ao sol estimula os melanócitos, que produzem melanina, deixando a pele bronzeada. O pigmento absorve mais de 90% dos raios UV que passam pela camada córnea. O bronzeamento é um mecanismo de proteção natural.

 

Psoríase

As manchas, caracterizadas pelo aspecto eritemato-escamoso, com limites bem precisos, podem ter poucos milímetros (Psoríase gutata) ou formar grandes placas. Geralmente, há simetria, mas podem ocorrer lesões únicas isoladas. As unhas também podem ser afetadas. Como no vitiligo, podem ocorrer novas lesões onde existir um ferimento.

A causa da psoríase é genética, mas traumas, infecções, alterações metabólicas e endócrinas e fatores psicogênicos podem servir de gatilho ou agravante. “Há trabalhos, ainda não totalmente aceitos pela comunidade científica, mostrando que algumas psoríases podem ser desencadeadas por alergia alimentar ao glúten (proteína presente no trigo, centeio, cevada, aveia e malte)”, diz a dermatologista Adriana Aquino.

 

“O tratamento pode ser feito com imunomoduladores, derivados do alcatrão, antralina, emolientes e derivados da vitamina D. Quando há numerosas lesões podem ser usados citostáticos, mas essas substâncias têm efeitos colaterais e contra-indicações que limitam o seu uso”, diz a médica.

A Dra. Adriana diz que medicamentos à base de acitetrina são indicados para as formas graves. Outra possibilidade é o tratamento fototerápico, com aplicações de coaltar e UVB ou antralina e UVB (ativos usados em sessões de fototerapia). O PUVA (320 a 400nm)  e a narrow-band (311 a 312nm) também podem ser indicados, assim como tratamentos combinados. No caso do PUVA, o paciente deve ingerir uma substância fotossensibilizante, o psoraleno, duas horas antes da exposição à luz. O Excimer laser, tipo especial de narrow-band, é outra opção terapêutica. Ele trata as lesões, sem danificar as regiões saudáveis. “Para certos casos, existem medicamentos biológicos novos que podem ser indicados”, completa a médica.

 

Hiperpigmentações

 

“A hiperpigmentação é a manifestação do aumento de pigmento na pele, que pode localizar-se desde a epiderme até a derme”, diz a dermatologista Graça Tavares.

O pigmento pode ser de dois tipos, como explica a especialista: exógeno, de origem externa (tatuagens, por exemplo); endógeno, causado pela hemossiderina, pigmento formado por restos de células do sangue (hemácias), com alta concentração de ferro. A hiperpigmentação, de tipo ocre, ocorre, por exemplo, nos casos em que há um extravasamento de sangue; causado pela melanina, quando sua produção é desordenada, e/ou quando há um aumento no número ou atividade dos melanócitos, causando manchas, hipercromias.

A hipercromia se caracteriza por manchas de cor castanha e limites irregulares. Entre as causas, estão a exposição solar e o uso de alguns medicamentos, queimaduras por substâncias fotossensibilizantes e processos inflamatórios. “Outras causas, menos freqüentes, são alterações hormonais, diabetes, doenças hepáticas e renais e deficiências de vitaminas”, diz a médica.

Segundo a dermatologista Paula Ramalho, o tratamento da hiperpigmentação consiste em reduzir a formação de melanina. “Sempre que o organismo entrar em contato com o agente causador, no entanto, desencadeará nova produção de pigmentos e o reaparecimento da mancha. Isso é especialmente comum em pacientes que apresentam melasma”, explica a Dra. Paula.

Para as manchas amarronzadas, os melasmas e as hiperpigmentações causadas por inflamações cutâneas, a médica recomenda o uso de exfoliantes e clareadores, como hidroquinona e arbutin. “Nos casos de manchas persistentes, pode-se recorrer à luz intensa pulsada, que aquece a região, estimulando a produção de um novo colágeno. São necessárias, no mínimo, cinco sessões”, indica.

Além da hidroquinona, em concentrações de 3 a 5%, o dermatologista Marcelo Bellini indica ácido kójico, ácido fítico, sin whitenning complex, algowhite e melawhite. “Para um resultado sinérgico, utilizo fórmulas combinadas, com ácido retinóico, hidroquinona e 2 ou 3 desses princípios ativos. Os resultados surgem após 2 ou 3 meses de uso contínuo, mas é necessário fazer manutenção”, diz o dermatologista.

 

Pitríase versicolor

Causada pelo fungo Malazessia furfur que pode aparecer, em alguns casos, sob a forma de machas despigmentadas, visíveis após exposição solar. É contagiosa e deve ser tratada com antifúngicos. A aplicação diária de filtro solar e hidratação ajudam a manter a pele menos sensível durante o tratamento e evitam que o sol piore o aspecto das manchas.

 

Albinismo

Caracteriza-se pela ausência parcial ou total de pigmento. Uma falha genética impossibilita que os pigmentos naturais da pele sejam produzidos pelas células.

Os albinos nascem com a pele muito pálida, cabelos brancos e olhos de cor rosa e têm fotossensibilidade extrema, devendo proteger a pele e os olhos do sol.

O gene do albinismo é pouco comum. As chances de uma criança nascer com o problema quando um de seus pais tem o gene é de 25%. É possível tê-lo e não manifestar a anomalia.

“No albinismo de caráter hereditário, a acromia da pele, cabelos e olhos é total. No albinoidismo, variante incompleta do albinismo, há discreta formação de pigmento, quer na pele, quer nos olhos”, explica a dermatologista Adriana Aquino.

 

Efélides

Também chamadas sardas, lembram pequenas machas acastanhadas ou rosadas, de alguns milímetros de diâmetro. De origem hereditária, aparecem na infância, no rosto, nariz e ombros, sobretudo em louros e ruivos. Podem ser clareadas com aparelhos de luz intensa pulsada ou cremes com substâncias clareadoras, como a hidroquinona, mas o ideal é evitar as sardas com o uso de filtro solar.

 

Vitiligo

A doença se caracteriza pelo aparecimento de zonas de pele despigmentadas, resultantes do desaparecimento dos melanócitos.

O vitiligo atinge todos os tipos de pele e todas as idades. As lesões podem permanecer estáveis ou aparecer de forma repentina. As pessoas que sofrem de vitiligo são muitos sensíveis aos raios solares, uma vez que as zonas despigmentadas não estão protegidas pelos melanócitos.

“As manchas são acrômicas, em geral bilaterais e simétricas. Entretanto, existe a variante segmentar e aquele que se localiza em torno de nevus (sinais). O crescimento da mancha é centrífugo, como se houvesse uma fuga do pigmento para a periferia. Há localizações preferenciais como face, punhos, dorso dos dedos, genitália, dobras naturais da pele e eminências ósseas. Pode ocorrer surgimento de novas lesões, nos locais de ferimento cutâneo”, explica a Dra. Adriana Aquino.

Os tratamentos variam conforme a extensão e o número de lesões. “Podem ser usados imunomoduladores ou, quando há poucas lesões, corticóides. Em casos agudos e extensos, indico o corticóide oral. Quando as manchas atingem grandes áreas, recomendam-se psoralênicos, que potencializam a ação do ultravioleta na pele, ou ainda a puvaterapia (psoralênico com exposição ao UVA)”, diz a dermatologista.

A Dra. Adriana lembra que é importante usar filtro solar, já que os psoralênicos são fotossensibilizantes. “O acompanhamento médico é fundamental para que não ocorram efeitos colaterais e para investigar a presença de outras doenças autoimunes associadas, sobretudo da tireóide”, explica.

 

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